Dia Nacional da Luta contra o Reumatismo

Publicado em 9 de novembro de 2011 por admin

Ministério da Saúde reforça a importância de se procurar um serviço de saúde, logo que identificados os primeiros sintomas. No domingo 30/10, foi comemorado em todo o país o Dia Nacional de Luta contra o Reumatismo.

Poucos brasileiros sabem, mas as doenças reumáticas não acometem apenas a população idosa, elas podem ser identificadas muito antes da fase adulta e do avanço da doença. O Ministério da Saúde alerta para a necessidade de conscientização sobre o reumatismo, doença que afeta aproximadamente 12 milhões de brasileiros. No domingo 30/10, foi comemorado o Dia Nacional de Luta contra a doença.

A recomendação é para que surgidos os primeiros sintomas de reumatismo, o paciente procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima da sua residência. “Ao perceber dor nas articulações, principalmente por mais de seis semanas, acompanhada de vermelhidão, “inchaço”, calor ou dificuldade para movimentar as juntas (especialmente ao acordar pela manhã), a pessoa deve procurar o serviço de saúde mais próximo da sua casa”, orienta Carlos Maia, subcoordenador nacional de Saúde do Homem.

DOENÇA – As doenças reumáticas atingem pessoas de qualquer idade e têm maior incidência em mulheres. Ao contrário de algumas doenças ditas silenciosas (hipertensão e diabetes), o reumatismo pode ser facilmente diagnosticado: o próprio paciente pode identificar os primeiros sintomas. Se sentir dores ao esticar os braços sobre a cabeça ou ao elevar os ombros até tocar o pescoço, atenção, pode ser um sinal de doença reumática. Se a enfermidade for descoberta logo nos primeiros sintomas e o paciente tiver tratamento adequado, ele pode levar uma vida normal, diminuindo assim os riscos de incapacidade física.

TRATAMENTO – O tratamento ao reumatismo é garantido no Sistema Único de Saúde (SUS). A assistência aos pacientes com doenças reumáticas inclui desde o fornecimento de medicamentos até a realização de práticas integrativas (como acupuntura), associada à realização de exercícios que devem ter indicação do médico. “Por isso, é fundamental a combinação de cuidados básicos de saúde, feitos nos serviços da Atenção Básica, com a atenção de especialistas do SUS”, completa Carlos Maia.

INCIDÊNCIA – Entre as doenças reumáticas, a artrite reumatóide é o tipo mais comum da doença. Somente entre 2010 e setembro de 2011, 33.852 pacientes foram internados em decorrência da doença. O valor empregado para custear estes tratamentos somou R$ 24 milhões neste período.

No Brasil, as doenças reumáticas constituem a segunda causa de gastos em benefícios de auxílio-saúde concedidos à população (dados 2008).

Apesar de afetar homens e mulheres, jovens e idosos, a maior prevalência é entre as mulheres entre 30 e 40 anos. Por esse motivo, elas devem ficar mais atentas a alguns fatores de risco, como idade avançada, obesidade, tabagismo, consumo de bebidas alcoólicas em excesso e ingestão de medicamentos que podem contribuir para o surgimento da doença.

AINDA SOBRE A FADIGA

Publicado em 24 de outubro de 2011 por admin

Continuando no assunto fadiga, quero abordar este sintoma na população mais idosa.

A maioria das pessoas aceita, ao meu ver com excessiva facilidade, a incapacidade funcional do idoso.  Nada mais triste do que ficar dependente de outros para realização de tarefas diárias.  Ao passar dos meus 50 anos fico cada vez mais consciente da importância de prevenir agora, a incapacidade do futuro e, a verdade é que, grande parte da incapacidade motora que costuma surgir com a idade não é um sintoma inevitável do envelhecimento e pode sim ser prevenida ou  mesmo tratada.

Infelizmente, ainda vejo com muita freqüência  portadores de lombalgia, artrite, artrose e osteoporose com grandes dificuldades para as tarefas diárias.  Existem muitas causas que contribuem para isto mas, eu quero aqui levantar a atenção para um termo médico que, tenho certeza, a maioria dos leigos desconhece: A “síndrome da fragilidade do idoso”.

Este termo engloba um conjunto de sintomas com causas diversas que contribuem, finalmente, para um estado de dependência e saúde precária. Incluindo entre outros, a osteoporose, a perda de massa muscular (associada ou não com a obesidade), a presença de doenças reumáticas não tratadas adequadamente, doenças neurológicas, distúrbios metabólicos e nutricionais e a existência de deformidades articulares.

O importante é ressaltar que a grande  maioria dos  aspectos desta síndrome podem ser tratados eficientemente e, principalmente, podem ser prevenidos.

Concluindo, os vários tipos de “reumatismos” costumam ser tiranizados como causadores de grandes seqüelas e incapacidade definitiva.  É preciso difundir o conhecimento de que esta não é uma via final inevitável da artrite, da lombalgia e da artrose, entre outras.

Eu já estou fazendo a minha parte e, nos próximos posts vou começar a falar sobre exercícios físicos nas doenças reumáticas, pois este é um dos pilares do tratamento e da prevenção.

A questão da energia

Publicado em 19 de outubro de 2011 por admin

Quero voltar a um assunto que citei rapidamente algumas semanas atrás: a Fadiga.

 

A falta de energia e o cansaço excessivo são queixas muito freqüentes em portadores de artrite reumatóide e outras doenças reumáticas. Aliás, muitas vezes é a principal causa de incapacidade.

 

No entanto, é uma manifestação pouco abordada por nós médicos que estamos mais acostumados a tratar de dor, do inchaço e outros sintomas que nos parecem “mais objetivos”.

 

Recentemente, dei de cara com uma breve revisão sobre este tema na literatura médica e quero compartilhar isto com vocês.

 

Basicamente, o artigo fala sobre as conseqüências no equilíbrio energético do corpo humano, nos casos de inflamação crônica e de um “estado prolongado de ativação do sistema imunológico”.

 

Na verdade o conceito é simples: No corpo humano a distribuição de energia é regulada de forma muito precisa. A energia que ingerimos na alimentação é guardada no tecido adiposo e nos músculos para uso no dia a dia. O interessante é saber quais são os grandes gastadores de energia.

 

Todos rapidamente responderiam os músculos, alguns lembrariam  do cérebro, mas tenho certeza que poucos sabem que o sistema imunológico (aquele responsável pela defesa do organismo e também aquele diretamente envolvido nas doenças auto imunes) é um dos grandes “gastões” junto com os dois outros.

 

Disto percebe-se imediatamente a relação entre fadiga e doença reumática. Mas não é só isso. Portadores de deformidades ou artrose de membros inferiores gastam até 50% mais energia para executar o mesmo exercício do que pessoas sadias.

 

Portanto é fácil entender o porquê da sensação de cansaço na artrite, no lúpus, na artrose ou na síndrome de Sjögren que tirou a Venus Williams das quadras.

 

Este é um assunto extenso, que me interessa particularmente e sobre o qual venho me ocupando ultimamente.  Portanto, será tema para mais alguns posts.

ANO NOVO

Publicado em 29 de setembro de 2011 por admin

Com a chegada do final de ano judaico penso um pouco no futuro.  Planos não faltam e, como o ano judaico não bate com o calendário oficial, estamos bem no meio do trabalho.

Uma linha de pesquisa está me ocupando mais intensamente agora, envolvendo pacientes com lombalgia crônica.
A dor lombar é a segunda causa mais freqüente de consultas médicas (perde apenas para o resfriado comum), sendo ainda a principal causa de incapacidade física temporária ou definitiva.

No ambiente laboral transformou-se em um enorme problema de saúde pública. Na terceira idade é a principal queixa crônica e a principal causa de incapacidade funcional. Em outras palavras é um grande problema para todo mundo.  Cerca de 80% das pessoas vão ter pelo menos um episódio de dor lombar na vida e, cerca de 10% vão ter episódios recorrentes ou dor crônica.

A conclusão mais óbvia é que não podemos chamar de doença alguma coisa que acontece na imensa maioria das pessoas normais, aquela velha história de que dor lombar é o preço que pagamos por termos optado por ficar em pé, ao invés de andar nas quatro patas (aproveito o Yom Kipur que está chegando e vou pedir desculpas, da minha parte, por mais este pecado).

No entanto, a verdadeira questão aqui é desvendar por que alguns pacientes melhoram depois de uma crise de lombalgia enquanto outros evoluem com dor persistente.  Este é o foco de duas linhas de pesquisa nas quais estou atualmente envolvido no hospital das Clinicas da USP e no Hospital Israelita Albert Einstein.

Enquanto escrevia estas linhas fui interrompido por uma orientanda de pós-graduação, preocupada com sua tese envolvendo fatores prognósticos da lombalgia.

Calma a todos! Este é um assunto extenso que vai ocupar muitos dias do ano que vai começar. Hoje, véspera de ano novo (Rosh Hashaná) é hora de parar e refletir, antes de recomeçar com energia renovada.

Desejo a todos um Shaná Tová. Um ano de saúde sem artrite, sem artrose,  sem fadiga e sem dor.

Síndrome de Sjogren tira Venus Williams do US Open

Publicado em 16 de setembro de 2011 por admin

Venus Williams está fora do US Open. O motivo?  Diagnóstico recente de Síndrome de Sjogren.  Esta notícia, que está correndo a mídia, me fez abandonar a sequência de posts sobre a artrite reumatoide para comentar dois aspectos que eu achei particularmente interessantes.

Em primeiro lugar, o fato de uma personalidade internacional, ter síndrome de Sjogren traz, obviamente, luz sobre esta doença reumática tão pouco conhecida do público.  Para manter o post curto e objetivo  bastaria dizer que a Síndrome de Sjogren é uma doença auto imune que tipicamente afeta as glândulas lacrimais e salivares produzindo secura de olhos e da boca.  No entanto isto é resumir demais o espectro muito amplo desta doença e vou deixar outros posts para discuti-la no futuro.

Por enquanto, quero explicar que existem duas formas desta doença:  uma forma primária (quando ela acontece isoladamente) e uma forma secundária  que pode aparecer junto com a artrite reumatóide, o lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças auto imunes. Além disso, a doença pode se manifestar com dor articular, envolvimento pulmonar e muitos outros sintomas.

Muito embora a secura da boca e olhos (síndrome “sicca” ou seca) seja o sintoma mais evocativo da síndrome de Sjogren, nem todos os pacientes tem síndrome seca e nem todos os casos de síndrome seca são causados pela Síndrome de Sjogren.  Por isso mesmo, o diagnóstico  pode ser complexo e, muitas vezes, a doença passa despercebida.  Portanto é provável que, embora rara, a doença seja mais freqüente do que acreditamos.

Em segundo lugar quero comentar algo ainda mais importante. Qual foi, afinal, o sintoma que tirou a Venus das quadras?  Segundo a noticia  que eu li no New York Times, dor articular e fadiga.

Nós (médicos) costumamos prestar pouca atenção neste sintoma tão importante – a fadiga (ou cansaço).  É provavelmente o sintoma mais comum das doenças reumáticas e um dos mais incapacitantes, como no caso desta campeã das quadras de tênis.

Enquanto desejo a Sra. Williams uma pronta recuperação, vou pensar em novos posts falando especificamente da fadiga, me aguardem.

Prevenção das doenças reumáticas

Publicado em 7 de setembro de 2011 por admin

Sem dúvida nenhuma, prevenção é a palavra de ordem. Nada melhor do que poder prevenir uma doença antes que ela ocorra.  Várias áreas da saúde humana evoluíram mais com a prevenção do que com novos tratamentos.  Infelizmente, no mundo das doenças reumáticas isto não parecia ser o caso, principalmente quando falamos das doenças auto-imunes.

No último post eu comentei a importância da detecção precoce da artrite reumatóide.  Na verdade, estamos caminhando para a detecção muito precoce, ou seja, fazer o diagnóstico antes que a doença se manifeste completamente.  A importância disto  tem a ver não apenas com a prevenção de seqüelas, mas também ,com uma melhor eficácia do tratamento.  Ainda assim, uma verdadeira forma de prevenir a artrite reumatóide ainda não é conhecida.

Existem muitos estudos nesta área.  A idéia é adotar uma estratégia semelhante aquela que foi utilizada nos estudos com as doenças cardiovasculares: Estudos populacionais, nos quais as pessoas são acompanhadas por longos períodos antes mesmo de apresentarem qualquer sintoma.

Este tipo de abordagem está começando a trazer novidades também para as doenças reumáticas.  Agora conhecemos vários fatores de risco modificáveis que estão relacionados com doenças como a osteoporose, gota e a artrose (principalmente a artrose de joelhos). No entanto, hoje quero comentar um pouco mais sobre a artrite reumatoide.

A artrite reumatóide é uma doença auto-imune de causa desconhecida.  Sabemos que existe uma predisposição genética, mas outros fatores ainda desconhecidos são necessários para que a doença se desenvolva.  Recentemente evoluímos muito na nossa capacidade de detectar a artrite reumatóide em uma fase pré-clinica, ou seja, antes do desenvolvimento dos primeiros sintomas.  Ainda assim, ainda não foi possível ainda, criar uma estratégia de prevenção adequada. No entanto,  já conseguimos separar melhor quem são os pacientes com risco de desenvolver uma doença mais agressiva e que, portanto, precisam de um controle mais minucioso.

Provavelmente existem muitos fatores diferentes que podem provocar o desenvolvimento de artrite reumatóide em pessoas predispostas geneticamente. A grande novidade foi a demonstração em estudos recentes da relação entre fumo e artrite reumatóide mais agressiva em certos pacientes que possuem um certo tipo de auto-anticorpo.  Em outras palavras, o velho vilão de tantas doenças humanas apareceu ,  novamente,  como um fator que pode ser modificado e que está relacionado com o desenvolvimento da artrite reumatóide.

Fiquem atentos para mais novidades

Artrite Reumatóide

Publicado em 2 de setembro de 2011 por admin

Boas noticias nesta área!

Não tem como escapar da artrite reumatóide quando se fala de doenças reumáticas.  Muito embora, no meu primeiro post eu tenha enfatizado que não existe uma doença chamada “reumatismo”, a artrite reumatóide é uma espécie de doença reumática típica.   Qualquer pessoa acometida logo iria chamá-la de “reumatismo”.

Pacientes com artrite reumatóide evoluem com dor e inchaço em muitas articulações ao mesmo tempo. A doença é crônica e, sem tratamento, causa deformidades importantes.  Casos mais graves podem envolver também outros órgãos como pulmão, nervos periféricos, olhos etc.  Em outras palavras, é uma doença que pode ser grave e incapacitante.

Além disso, se considerarmos sua freqüência na população (afeta cerca de 1% das pessoas no mundo inteiro), poderemos avaliar sua importância como grande problema de saúde pública.

Para os pesquisadores a artrite reumatóide é uma doença fascinante, com vários aspectos que envolvem a autoimunidade, metabolismo ósseo, inflamação, entre outros. Mas para o paciente ela pode ser um grande transtorno (para dizer o mínimo).  Portanto vamos começar enfatizando as boas novas, que são muitas (e muito boas).

Em primeiro lugar, o tratamento da doença mudou radicalmente nos últimos 10 anos. Hoje existem muitas opções extremamente eficientes. Desde que se inicie o tratamento precocemente e que ele seja mantido regularmente, os pacientes podem levar uma vida normal em todos os aspectos, sem desenvolver seqüelas.

Em segundo lugar, o diagnóstico precoce é cada vez mais freqüente, facilitando assim o início rápido do tratamento.

Finalmente, alguns dados de prevenção estão surgindo pouco a pouco  mas,  isto é assunto para outro dia.

Bem-vindos!

Publicado em 23 de agosto de 2011 por admin

Prezados leitores e amigos,

Gostaria de iniciar a apresentação do meu blog compartilhando com vocês alguns mitos sobre minha área de atuação: a reumatologia e o reumatismo.

Na verdade, não existe uma doença chamada “reumatismo”.  Esse é um termo leigo utilizado para diferentes situações que causam dores no corpo, nas articulações e nas costas, entre outros locais.

No entanto, existem mais de cem doenças diferentes que compõe o universo das “Doenças Reumáticas”. Apesar de todas elas, frequentemente causarem dor, as doenças reumáticas são muito diferentes entre si.  Entre as doenças reumáticas mais conhecidas destacam-se a osteoartrose, artrite reumatoide, osteoporose, gota, lúpus, febre reumática, fibromialgia, tendinite, bursite lombalgia e  hérnia de disco.

Enquanto algumas formas de doenças reumáticas ficam localizadas no aparelho locomotor (principalmente articulações, ossos, tendões e ligamentos) outras podem comprometer diversos órgãos do corpo humano, como os rins, o coração, os pulmões, a pele e o sistema nervoso, entre outros.

Outros mitos precisam ser esclarecidos: Em primeiro lugar, reumatismo não é uma “doença de velho”, pois pode ocorrer em qualquer idade, incluindo jovens, crianças e até, recém-nascidos. Além disso, ao  contrário do que muitos pensam, existem atualmente tratamentos altamente eficientes para a imensa maioria das casos de doenças reumáticas.  O mais importante é fazer um diagnóstico precoce para tratar a doença na sua fase inicial antes que ocorram sequelas irreversíveis. Existem importantes novidades e muitos assuntos interessantes envolvendo reumatismo e doenças correlatas.

Nos próximos posts vou comentar  com mais detalhes  vários aspectos envolvendo essas doenças, como  sua frequência e  sintomas característicos.  Mas, principalmente, aspectos atuais de  prevenção e  tratamento.