Osteoporose: cada caso é um caso
Publicado em 19 de maio de 2012 por Dr.Ari HalpernUm dos principais jornais médicos do mundo, o famoso The New England Journal of Medicine, publicou no dia 9 de maio um editorial e um artigo científico sobre o uso dos bisfosfonados no tratamento da osteoporose. Já sabemos, como comentei no último post, o quanto a doença é frequente e como as fraturas consequentes dela são causas importantes de dor, incapacidade e até de morte. Para prevenção e tratamento é comum se recorrer a medidas farmacológicas, como o uso de medicamentos, estando os bisfosfonados entre os mais utilizados. No entanto, infelizmente, a prescrição é realizada muitas vezes sem conhecimento das reais indicações, contraindicações e efeitos colaterais. E mesmo quando essas drogas são usadas da forma correta, não se sabe ainda durante quanto tempo devem ser ministradas continuamente.
Recentemente, apareceram registros de casos de fraturas atípicas – aquelas que acontecem em locais incomuns -, relacionadas ao uso prolongado desses medicamentos. O meio médico, então, entrou em euforia para descobrir se esta relação é realmente verdadeira e tentar, portanto, redefinir o tempo correto de utilização dessas drogas. Afinal, o objetivo do tratamento e da prevenção da osteoporose é reduzir a ocorrência de fraturas e não, simplesmente, melhorar o resultado do exame de densitometria óssea.
A situação não está completamente esclarecida. As bulas dos bisfosfonatos no mercado contém um alerta dizendo que “a duração ideal do tratamento não foi ainda determinada e todos os pacientes em tratamento contínuo devem ser reavaliados periodicamente”.
Eu continuo insistindo numa verdade que parece escapar a muitos profissionais: o tratamento e a prevenção da osteoporose devem ser feitos de forma muito individualizada. Não basta, apenas, prescrever um ou outro medicamento. Medidas não medicamentosas são tão importantes quanto elas ou até mais, em alguns casos.
O tratamento ainda depende de muitas variáveis, como os fatores de risco existentes para osteoporose e fraturas; as doenças que a pessoa apresenta, além da própria osteoporose; o estilo de vida que mantém; além de várias outras informações que precisam de ser levadas em conta na hora de decidir a conduta. Portanto, apesar de toda a evolução que tivemos no tratamento da doença, um procedimento precisa ser mantido como o dos médicos de antigamente: olhar para cada paciente caso a caso.